THAAN CHARITY 80/20 BANGKOK

THAAN CHARITY aconteceu na ultima terça-feira reunindo Chefs conceituados de diferentes regiões da Tailândia, no restaurante 80/20 em Bangkok, com a missão de realizar um jantar para arrecadar fundos em auxílio a população do sul da Tailândia que sofreu fortes impactos com as últimas chuvas e inundações. Acompanhei os preparativos para o evento, uma visita ao mercado com produtos característicos do sul do país, tema do jantar. A noite rodamos por Bangkok onde os Chefs exploraram a cidade visitando lugares tradicionais da gastronomia popular e pontos turísticos de entretenimento noturno, envolvendo desafios com molhos picantes que passearam a turma entre lágrimas e risos (as lágrimas aos que aceitaram do desafio do “mad dog sauce”). Deixo aqui um pouco desse trajeto de pesquisa, preparo e resultado.

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Chefs e Pgakenyaws

Durante os dias 15,16 e 17 de Janeiro, tive a oportunidade de visitar duas comunidades Pgakenyaw, também conhecidos internacionalmente como povo “Karen”, localizadas ao norte da Tailândia nas províncias de Mae Hong Son e Chiang Mai. Fui a convite do Chef Napol Jantraget (Joe), do restaurante 80/20 em Bangkok, que também participou pela primeira vez do evento coordenado pelos chefs Black Hatena, da Cozinha Artesanal Blackitch em Chiang Mai, e Weerawat Triyasenawat (Noom), do Samuai N Sons em Udon Thani. Esses três chefs vem desenvolvendo trabalhos diferenciados em suas regiões na Tailândia buscando um olhar contemporâneo e ao mesmo tempo de resgate de produtos e técnicas tradicionais do país. Esse evento visa estabelecer uma relação entre a nova onda de chefs tailandeses que compartilham o interesse pela preservação da cultura tailandesa com as comunidades tradicionais, que vem de fato lutando contra grandes empresas do agronegócio para preservar suas terras e suas técnicas de cultivo como a agrofloresta, replantando produtos nativos junto às áreas de floresta nativa preservada, também o cultivo rotativo, que propõe a manutenção de nutrientes do solo e evita a proliferação de pragas através da rotatividade dos produtos cultivados no mesmo espaço. Essas técnicas de cultivo eu já havia presenciado no Brasil em parcerias com IPEPA (Instituto de Permacultura do Paraná) e com o Instituo Çara-Kura em Florianópolis, porém me surpreendi com os terrenos em que esses cultivos são realizados e pela recepção intima e amistosa, motivada a compartilhar, que tivemos nas comunidades. Em contrapartida os Chefs realizaram banquetes para as comunidades explicando aos moradores as técnicas e combinações utilizadas a partir das possibilidades encontradas tanto no espaço como nos ingredientes produzidos nos locais, além dos produtos encontrados nos mercados (feiras) no entorno das comunidades. O resultado foi impactante e segundo Jump Coffeeism, representante das comunidades Pgakenyaw e intermediador destes eventos, ambas as comunidades ficaram admiradas e entusiasmadas com o intercâmbio realizado. Em breve disponibilizarei on-line o documentário audiovisual realizado durante essa experiência.

O respeito é a melhor forma de preservação!

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Pai – Tailândia

A pequena cidade de Pai é com certeza um dos principais pontos do turismo “alternativo” na Tailândia. Nunca havia ouvido falar, ou lido algo sobre essa cidade, mas foi apenas pisar em Bangkok logo comecei ouvir recomendações pelos corredores do hostel. Após 3 semanas em Chiang Mai decidi visitar a cidade que foi tantas vezes categorizada como uma pacata “vila hippie”. O que encontrei foi um centro altamente ocidentalizado, com lasanha, hambuguer e outras opções do cardápio ocidental, além dos clássicos turistas achando que o mundo está a serviço dos seus prazeres. Mas sim é verdade que apenas 10 minutos dirigindo as populares “lambretas”, em qualquer direção, você chega a pequenas vilas de produtores rurais, onde as acentuadas montanhas valorizam ainda mais o difícil trabalho dos agricultores da região. As montanhas, as cachoeiras, rios e estreitas estradas criam cenários intimistas que me mantiveram por aqui durante duas semanas tentando encontrar algo a mais. Na verdade não encontrei esse tal “algo a mais”… e sim mais coincidências com o Brasil, como vem acontecendo durante toda a viagem, por exemplo a popular prática do futevôlei, que me chamou muito a atenção por ter movimentos de mais explosão do que o nosso, praticado nas areias com toda técnica e malandragem brasileira.

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Bangkok

A caótica Bangkok ainda permanece como uma cidade a ser explorada. Durante os 11 dias em que estive na cidade, caminhei muito pela zona mais antiga da cidade, pelo bairro de Talat Noi, interessante por seus mercados e pela gastronomia de rua. Fora isso me desloquei apenas por alguns poucos pontos turísticos. Gosto de me habituar aos espaços antes de simplesmente fotografar… as próximas visitas com certeza terão uma relação mais intima com a cidade dos becos e labirintos.